quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sandra Marisa e Bruno, o Casamento do Ano

Sandra Marisa e Bruno, o Casamento do Ano: "Sandra Marisa e Bruno estão a concorrer para ganhar o Casamento do Ano. Vai votar neles?"

quinta-feira, 10 de março de 2011

Pedro Abrunhosa - Beijo



Tu dás sentido à minha vida
És o meu rumo,
És o meu caminho...
Fecho os olhos e sinto-te aqui... em mim...


sexta-feira, 4 de março de 2011

Como um BONSAI....



Há poucos dias um irmão meu fez anos, e eu não sabia muito bem o que oferecer-lhe como presente. Porque lhe quero bem, resisti a dar-lhe insignificâncias… Pensei, então, num BONSAI. Sim, naquelas árvores minúsculas estão sempre inscritas muitas histórias contadas com palavras como delicadeza, simplicidade, atenção, cuidado e, sobretudo, paciência.


Um Bonsai não é uma árvore normal que se deixa nascer e crescer da semente lançada à terra. É uma obra de arte natural que exige muitas horas de perícia, mão segura e olho fino…


E comprei mesmo um Bonsai para lhe oferecer. É preciso ter muito cuidado no tratamento que se lhe dá, porque é muito frágil, é preciso ser muito rigoroso nas regas e nas exposições à luz, é preciso ter a coragem e a perícia de ir podando de vez em quando aquelas pontas que forem perdendo vigor…


Ter um Bonsai é fácil; mas Mantê-lo é mais exigente.


Quando lho ofereci, lembrando-lhe todos os cuidados a ter, tive a certeza de que ele estava a perceber a minha mensagem… O Bonsai mais importante que temos que cuidar na vida chama-se… EU.


O Bonsai tornou-se aos meus olhos uma imagem muito rica desta tarefa quotidiana que é ser, construir-se como pessoa, humanizar-se. Nesse dia em que o meu irmão celebrava a sua Vida, quis lembrar-lhe que temos que nascer e renascer todos os dias! Tratar com cuidado do seu Bonsai seria um exercício muito bom para não se esquecer de que estamos permanentemente em construção.


Porque um Bonsai é como o nosso Coração: tem a forma que nós lhe dermos, é o que nós fizermos dele.


Assim como há um Saber próprio para criar um Bonsai, há uma Sabedoria própria para ir construindo um coração. E o “Saber do Bonsai” até nos ajuda a perceber algumas coisas da “Sabedoria do Coração”…


Por isso, vamos pegar nas quatro instruções que estavam no cartão que acompanhava o Bonsai:


1. Esteja sempre atento ao seu Bonsai quanto a tempos de rega, altura de poda, mudança de terra e de vaso. Vá examinando as folhas e o crescimento das pontas dos ramos quotidianamente para acompanhar o seu crescimento saudável.


A importância de estarmos ATENTOS, porque na vida não podemos deixar-nos empurrar para caminhos que nos desinstalam de nós próprios, opções que nos expulsam de dentro de nós mesmos e nos tiram das mãos a tarefa da nos construirmos como pessoas livres e felizes. Se não estivermos atentos, somos despossuídos com muita facilidade… Roubam-nos de nós próprios! Controlam-nos o que havemos de pensar, julgar e agir. E metem-nos entre a espada e a parede se quisermos assumir a ousadia dadiferença. A este mecanismo, depois, há quem lhe chame moda, cultura, sistema, pressão social… No fundo, é uma lógica de carneirismo, em que os desatentos são transformados em carneiros mansos de um rebanho que, na verdade, nunca chegaram a escolher. Muitas vezes, em vez de nos agarrarmos a sério nas nossas próprias mãos e nos construirmos segundo o Sentido e os Critérios que consideramos mais válidos, deixamo-nos arrastar na multidão do “Maria vai com todas!” em que ninguém é verdadeiramente ele próprio. E costuma ficar tudo justificado com frases deste estilo: “Todos fazem assim…”.


2. Quando tratar do seu Bonsai, para regar, limpar ou podar, faça-o sempre com cuidado e com muita calma para não danificar os ramos frágeis.


A importância da SERENIDADE, porque a vida nos habituou a ser muito brutos. Reagimos com toda a facilidade… Já todos fomos magoados, e já todos magoámos! É assim a espiral da agressividade que temos que ir vencendo. Devíamos habituar-nos a respirar fundo antes de cada opção complicada… Mas, antes disso, ainda temos que ganhar a Sabedoria da Opção, para nos vermos livres da Lógica da Reacção. Diante de um acontecimento inesperado ou uma situação de tensão, nós normalmente reagimos. É sempre a opção mais fácil e natural, mas raramente a melhor! É preciso aprendermos a Interiorizar (que é o contrário de “fazer ricochete”…), Discernir e Optar por aquela que nos parecer a melhor atitude. Se formos honestos connosco próprios, temos que reconhecer que as Opções Reflectidas só muito raramente coincidem com as Reacções Imediatas…


3. Periodicamente, regue o seu Bonsai mergulhando-o em água e deixando-o repousar nela durante uns minutos.


A importância de sabermos PARAR, porque nos meteram na cabeça que não podemos estar quietos, temos que andar sempre a cirandar para chegarmos ao fim do dia cansados, ainda que não preenchidos. Os dias cheios nem sempre são dias em cheio!...

A lógica das Carreiras introduziu-nos no ritmo das correrias, e todos perseguem os sonhos que querem conquistar amanhã pisando distraidamente as maravilhas que hoje poderiam ter vivido e saboreado. Pensa bem… para a maior parte das pessoas que tu conheces, a vida perdeu o gosto. Parece que inventámos um mundo no qual ser pessoa é ser funcionário. Roubaram-nos os Sentidos verdadeiramente válidos para Viver, e encheram-nos os olhos de motivos para lutar e rivalizar! O dia-a-dia foi perdendo sabor, o corre-corre em que nos metemos engoliu-nos a alegria e amordaçou-nos o coração, e nós nunca temos tempo para parar. Parar para Ser. Por uns momentos, limitar-se a Ser, sem fazer nada, sem parecer nada, sem comprar nada nem ocupar-se com nada. Simplesmente, Ser! As coisas urgentes escravizam-nos. E são tantas… As coisas importantes não se impõem; apenas se insinuam… Mas nós andamos distraídos, atarefados, cansados…


Se começarmos a parar mais vezes, uns bocadinhos de cabeça a arejar e coração desabotoado, começaremos a ver quais são as prioridades da nossa vida. Damo-nos conta de que corremos atrás de algumas coisas muito pequeninas e de que temos trilhado alguns caminhos que conduzem a nenhures…


4. O seu Bonsai precisa de cuidados, mas respeite o seu ritmo natural de crescimento. Necessita de ser podado, regado e exposto ao sol, mas não o faça exageradamente, com pressa que ele se desenvolva, porque isso fará com que ele seque.


A importância de termos PACIÊNCIA, porque na vida queremos sempre tudo para ontem, e porque não sabemos esperar, muitas vezes deitamos “mãos à obra” antes de tempo, sem sabermos sequer muito bem o que há a fazer… A capacidade da paciência é um dos sinais mais evidentes de maturidade. Mas Paciência não é Passividade! A paciência é um dos rostos da Esperança. Não é aquela “paciência!” de quem encolhe os ombros, mas a capacidade de aguentar a dor que algumas opções nos fazem sofrer, e não desistir! “Paciente” é aquele que passa pela “Passio” (em latim, paixão, sofrimento) mas não se deixa derrotar por ela, não deixa de manter os olhos fitos num amanhã de esperança, não larga das mãos as cordas da vida!


A paciência é uma fortaleza. Os fracos costumam fugir para a frente, e normalmente saem de cabeça rachada contra aquilo do que fugiam. Os fortes resistem, enraízam-se e tornam-se seguros, recusam as opções fáceis e imediatas porque já lhes conhecem as consequências manhosas… Por isso estes, depois de passada a tempestade, saem dela sempre mais fortes e mais sábios. Os fracos costumam ficar ainda mais fracos…


Temos que aprender a arte da paciência, a sabedoria de parar para pensar e optar. Porque em altura de tempestade não se fazem malas…



Se aprendermos esta arte da paciência, vamos começar a perceber que é bom os outros serem como são, diferentes de nós e até diferentes do que quereríamos que eles fossem. Aprenderemos a amar cada um como é, a aceitá-lo assim; vamos descobrir que ficamos mais felizes, porque amamos melhor e somos mais amados.


Além disto, dar-nos-emos conta de uma sabedoria escondida que é muito importante: a diferença entre a Vida que Acontece e a Vida que se Constrói. A primeira está cheia de absurdos, dissabores, surpresas, provas… A segunda está cheia de apelos, semeada de sonhos e projectos. A Vida que Acontece é Natural, rege-se pelas leis da natureza. A Vida que se Constrói é Pessoal, rege-se pelas leis do Amor. Então, perceberemos de uma vez por todas que, afinal não há becos sem saída! Há é saídas difíceis de encontrar e outras que ainda é preciso abrir. Então, perceberemos de uma vez por todas que a Vida que Acontece não nos pode simplesmente aninhar na angústia e no choro triste de lágrimas antigas e batalhas perdidas. Porque estamos chamados a ser protagonistas da Vida que se Constrói, aquela que está nas nossas mãos e é um entretecido de relações, opções, atitudes, escolhas, decisões, recomeços e renascimentos!


«Rui Santiago cssr» in http://www.jovensredentoristas.com/

quarta-feira, 26 de janeiro de 2011

Somos Um



Somos Um... como soube tão bem ouvir e sentir esta musica... Obrigada JM por me pedires incessantemente para a ouvir :)

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

Quase Perfeito



Amo-te...

Expressividade - Sempre para sempre




Há amor... Sempre para Sempre...

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

Começa um ano novo ...

Sempre é preciso saber quando uma etapa chega ao final...

Se insistirmos em permanecer nela mais do que o tempo necessário, perdemos a alegria e o sentido das outras etapas que precisamos viver.

Encerrando ciclos, fechando portas, terminando capítulos. Não importa o nome que damos, o que importa é deixar no passado os momentos da vida que já se acabaram.

Foi despedida do trabalho? Terminou uma relação? Deixou a casa dos pais? Partiu para viver em outro país? A amizade tão longamente cultivada desapareceu sem explicações?

Você pode passar muito tempo se perguntando por que isso aconteceu...

Pode dizer para si mesmo que não dará mais um passo enquanto não entender as razões que levaram certas coisas, que eram tão importantes e sólidas em sua vida, serem subitamente transformadas em pó.
Mas tal atitude será um desgaste imenso para todos: seus pais, seus amigos, seus filhos, seus irmãos, todos estarão encerrando capítulos, virando a folha, seguindo adiante, e todos sofrerão ao ver que você está parado.

Ninguém pode estar ao mesmo tempo no presente e no passado, nem mesmo quando tentamos entender as coisas que acontecem connosco.

O que passou não voltará: não podemos ser eternamente meninos, adolescentes tardios, filhos que se sentem culpados ou rancorosos com os pais, amantes que revivem noite e dia uma ligação com quem já foi embora e não tem a menor intenção de voltar.
As coisas passam, e o melhor que fazemos é deixar que elas realmente possam ir embora...

Por isso é tão importante (por mais doloroso que seja!) destruir recordações, mudar de casa, dar muitas coisas para orfanatos, vender ou doar os livros que tem.
Tudo neste mundo visível é uma manifestação do mundo invisível, do que está acontecendo em nosso coração... e o desfazer-se de certas lembranças significa também abrir espaço para que outras tomem o seu lugar.

Deixar ir embora. Soltar. Desprender-se.

Ninguém está jogando nesta vida com cartas marcadas, portanto às vezes ganhamos, e às vezes perdemos.

Não espere que devolvam algo, não espere que reconheçam seu esforço, que descubram seu gênio, que entendam seu amor. Pare de ligar sua televisão emocional e assistir sempre ao mesmo programa, que mostra como você sofreu com determinada perda: isso o estará apenas envenenando, e nada mais.

Não há nada mais perigoso que rompimentos amorosos que não são aceitos, promessas de emprego que não têm data marcada para começar, decisões que sempre são adiadas em nome do "momento ideal".

Antes de começar um capítulo novo, é preciso terminar o antigo: diga a si mesmo que o que passou, jamais voltará!

Lembre-se de que houve uma época em que podia viver sem aquilo, sem aquela pessoa - nada é insubstituível, um hábito não é uma necessidade.

Pode parecer óbvio, pode mesmo ser difícil, mas é muito importante.

Encerrando ciclos. Não por causa do orgulho, por incapacidade, ou por soberba, mas porque simplesmente aquilo já não se encaixa mais na sua vida.

Feche a porta, mude o disco, limpe a casa, sacuda a poeira. Deixe de ser quem era, e se transforme em quem é. Torna-te uma pessoa melhor e assegura-te de que sabes bem quem és tu próprio, antes de conheceres alguém e de esperares que ele veja quem tu és.

E lembra-te:
Tudo o que chega, chega sempre por alguma razão.



do Grande Fernando Pessoa

sexta-feira, 31 de dezembro de 2010

Sentir...

Sentir que se é derrotado por uma pequena e leve brisa...
Sentir que não se sente...
Sentir, sentir, sentir...
Sentir que há algo que aterroriza,
Sentir que muito está dormente...
Sentir, porquê sentir?
Sentir vazio,
Sentir a sensação...
Ter prazer, ter emoção...
Ter amor, ter paixão...
Ter liberdade...
Ter revolta, ter desilusão...
Sentir felicidade!
Felicidade...
Sentir tristeza e alegria,
Sentir-te a ti em cada dia...
Sentir o Sol e a Lua,
Sentir a perda quando se olha para a rua...
Porque amo,
Porque luto,
Porque sofro,
Porque perco,
Porque vivo e assim venço,
Porque sinto...
Sentir, sentir, sentir...
Com garra e sofrimento,
Com o coração no pensamento,
Sinto e acredito
Que sentir é viver
E que eu vivo porque sinto...
Ser feliz?
Não sei...
Sentir, apenas sentir...


Um ano passou, muita coisa mudou...
Sinto que é contigo que quero ficar
Sinto que é contigo que sou feliz
Sinto fervorasamente que sinto!
Estou viva porque sinto e sinto-te a ti!
Cada pormenor está inscrito em mim...
Quero-te!
Amo-te!

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Cansaço...

O que há em mim é sobretudo cansaço
Não disto nem daquilo,
Nem sequer de tudo ou de nada:
Cansaço assim mesmo, ele mesmo,
Cansaço.

A subtileza das sensações inúteis,
As paixões violentas por coisa nenhuma,
Os amores intensos por o suposto alguém.
Essas coisas todas -
Essas e o que faz falta nelas eternamente;
Tudo isso faz um cansaço,
Este cansaço,
Cansaço.

Há sem dúvida quem ame o infinito,
Há sem dúvida quem deseje o impossível,
Há sem dúvida quem não queira nada -
Três tipos de idealistas, e eu nenhum deles:
Porque eu amo infinitamente o finito,
Porque eu desejo impossivelmente o possível,
Porque eu quero tudo, ou um pouco mais, se puder ser,
Ou até se não puder ser...

E o resultado?
Para eles a vida vivida ou sonhada,
Para eles o sonho sonhado ou vivido,
Para eles a média entre tudo e nada, isto é, isto...
Para mim só um grande, um profundo,
E, ah com que felicidade infecundo, cansaço,
Um supremíssimo cansaço.
Íssimo, íssimo. íssimo,
Cansaço...


Álvaro de Campos

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Quase

Ainda pior que a convicção do não,
é a incerteza do talvez,
é a desilusão de um quase!

É o quase que me incomoda,
que me entristece,
que me mata trazendo tudo
que poderia ter sido e não foi.

Quem quase ganhou ainda joga,
quem quase passou ainda estuda,
quem quase amou não amou.

Basta pensar nas oportunidades
que escaparam pelos dedos,
nas chances que se perdem por medo,
nas ideias que nunca sairão do papel
por essa maldita mania de viver no outono.

Pergunto-me, às vezes,
o que nos leva a escolher uma vida morna.

A resposta eu sei decor,
está estampada na distância
e na frieza dos sorrisos,
na frouxidão dos abraços,
na indiferença dos "bom dia",
quase que sussurrados.

Sobra covardia e falta coragem
até para ser feliz.

A paixão queima,
o amor enlouquece,
o desejo trai.

Talvez esses fossem bons motivos
para decidir entre a alegria e a dor.
Mas não são.

Se a virtude estivesse mesmo no meio-termo,
o mar não teria ondas,
os dias seriam nublados
e o arco-íris em tons de cinza.

O nada não ilumina,
não inspira,
não aflige nem acalma,
apenas amplia o vazio
que cada um traz dentro de si.

Preferir a derrota prévia
à dúvida da vitória
é desperdiçar a oportunidade de merecer.

Para os erros há perdão,
para os fracassos, chance,
para os amores impossíveis, tempo.

De nada adianta cercar um coração vazio
ou economizar alma.
Um romance cujo fim
é instantâneo ou indolor não é romance.

Não deixe que a saudade sufoque,
que a rotina acomode,
que o medo impeça de tentar.

Desconfie do destino e acredite em você.
Gaste mais horas realizando que sonhando...
Fazendo que planeando...
Vivendo que esperando...

Porque,
embora quem quase morre esteja vivo,
quem quase vive já morreu.


«Luiz Fernando Veríssimo»

quarta-feira, 22 de setembro de 2010

terça-feira, 21 de setembro de 2010

Vai Aonde Te Leva o Coração



Um livro que gostei bastante...


"... Sabes qual é o erro que cometemos sempre? Acreditar que a vida é imutável, que, mal escolhemos um carril, temos de o seguir até ao fim.
Tem cuidado contigo. Sempre que à medida que fores crescendo, tiveres vontade de converter as coisas erradas em certas, lembra-te que a primeira revolução a fazer é dentro de nós próprios, a primeira e a mais importante.
E quando à tua frente se abrirem muitas estradas e não souberes a que hás-de escolher, não te metas por uma ao acaso, senta-te e espera.
Respira com a mesma profundidade confiante com que respiraste no dia em que vieste ao mundo, e sem deixares que nada te distraia, espera e volta a esperar.

Fica quieta, em silêncio, e ouve o teu coração. Quando ele te falar, levanta-te, e vai onde ele te levar..."

terça-feira, 20 de julho de 2010

Abraça-me bem

Levantas o teu corpo cansado do chão.
Afasta esse peso que te esmaga o coração.
Abres uma janela e pergunta-te quem és.
Respiras mais fundo e enfrentas o mundo de pé.

Eu venho de tão longe e procuro há mil anos por ti.
Estendo a minha mão até te sentir.
Não sabemos nada do que somos nós.
Mas sabemos tanto do que muda por não estarmos sós.

Abraça-me bem.

Levantas os teus olhos para me olhar assim.
Procuras cá dentro onde me escondi.
E eu tenho medo, confesso, de dar.
O mundo onde guardo tudo o que mais quis salvar.

Tu dizes que não há outra forma de ficarmos perto.
Não há como saber se o caminho é o certo.
Só pode voar quem arriscar cair.
Só se pode dar quem arriscar sentir.

Abraça-me bem.


Mafalda Veiga

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Vale a pena pensar nisto...



'A cada dia que vivo, mais me convenço de que o desperdício da vida está no amor que não damos, nas forças que não usamos, na prudência egoísta que nada arrisca, e que, esquivando-se do sofrimento, perdemos também a felicidade'.




Carlos Drummond de Andrade

quarta-feira, 16 de junho de 2010

*A minha próxima vida*


"Na minha próxima vida, quero viver de trás pra frente. Começar morto, para despachar logo o assunto. Depois, acordar num lar de idosos e ir-me sentindo melhor a cada dia que passa. Ser expulso porque estou demasiado saudável, ir receber a reforma e começar a trabalhar, recebendo logo um relógio de ouro no primeiro dia. Trabalhar 40 anos, cada vez mais desenvolto e saudável, até ser jovem o suficiente para entrar na faculdade, embebedar-me diariamente e ser bastante promíscuo. E depois, estar pronto para o secundário e para o primário, antes de me tornar criança e só brincar, sem responsabilidades. Aí torno-me um bébé inocente até nascer. Por fim, passo nove meses flutuando num "spa" de luxo, com aquecimento central, serviço de quarto à disposição e com um espaço maior por cada dia que passa, e depois - "Voilà!" - desapareço num orgasmo."



Woody Allen

terça-feira, 8 de junho de 2010

Pensamento da semana...



"Por vezes, quando se está furioso com alguém, sentar e pensar sobre o problema pode ajudar bastante!!!"


terça-feira, 1 de junho de 2010

Em Louvor das Crianças - Eugénio de Andrade


Se há na terra um reino que nos seja familiar e ao mesmo tempo estranho, fechado nos seus limites e simultaneamente sem fronteiras, esse reino é o da infância. A esse país inocente, donde se é expulso sempre demasiado cedo, apenas se regressa em momentos privilegiados — a tais regressos se chama, às vezes, poesia. Essa espécie de terra mítica é habitada por seres de uma tão grande formosura que os anjos tiveram neles o seu modelo, e foi às crianças, como todos sabem pelos evangelhos, que foi prometido o Paraíso.
A sedução das crianças provém, antes de mais, da sua proximidade com os animais — a sua relação com o mundo não é a da utilidade, mas a do prazer. Elas não conhecem ainda os dois grandes inimigos da alma, que são, como disse Saint-Exupéry, o dinheiro e a vaidade. Estas frágeis criaturas, as únicas desde a origem destinadas à imortalidade, são também as mais vulneráveis — elas têm o peito aberto às maravilhas do mundo, mas estão sem defesa para a bestialidade humana que, apesar de tanta tecnologia de ponta, não diminui nem se extingue.
O sofrimento de uma criança é de uma ordem tão monstruosa que, frequentemente, é usado como argumento para a negação da bondade divina. Não, não há salvação para quem faça sofrer uma criança, que isto se grave indelevelmente nos vossos espíritos. O simples facto de consentirmos que milhões e milhões de crianças padeçam fome, e reguem com as suas lágrimas a terra onde terão ainda de lutar um dia pela justiça e pela liberdade, prova bem que não somos filhos de Deus.

Eugénio de Andrade, in 'Rosto Precário'


«Só é possível ensinar uma criança a amar, amando-a»


quinta-feira, 11 de fevereiro de 2010